sábado, 27 de junho de 2009

Flores do Ypê

Sentado na varanda da minha não-casa, ponho-me - enquanto pito o matinal - a observar o glorioso Ypê e suas flores amarelas que formam um tapete pleno e vislumbrante sobre o negro e mal cuidado asfalto da avenida da Saudade.
O mesmo sol que invade minha não-varanda e toca meus pés expostos a fria e gelada brisa de inverno, ilumina os botões do Ypê que caem naquela calçada torta, a mente passeia pelo mundo, pelo tempo e pela vida sem querer dominar nenhum discurso catersiano, anárquica, foge do meu controle e esbarra em lembranças boas, outra nem tanto, deixando o amargo gosto da consciência que vivo uma vida desesperadamente fulgas.
Bato as cinzas sobre o pequeno tronco esculpido e já cheio de outra bitucas, continuo a olhar para aquela árvore que me encanta, olho e vejo um jovem de passos firme, olhar dispersos e rosto vazio passar sobre aquele carpete único - de ouvidos tampados - sem nem percebe a realeza que a natureza lhe oferece.
O cigarro acabou, recolho os livros e alguns papéis que usara para distintas anotações - entro na sala e a mente me surpreende em um espasmo - em reflexões mediocres, vejo a vida é fulgas, frágil e parte de um tecido que ao longo do tempo tece o tapete da história ao mesmo tempo eu sou aquele que caminha com passos sopetões, olhos desatentos e rosto indiferente sem perceber onde pisa.




v i c t o r s o n s

Um comentário:

avarandados do anoitecer disse...

memórias da solidão (que mora com todos nós - três).