domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa salgada

- Hoje, nessa tarde ensolarada fazendo meu almoço de Páscoa, não menos solitário que os outros tantos almoços, pensando no abuso dos temperos que coloco nessa salada chamada vida, muitas vezes consumida sem seus devidos talheres, sempre me vem a poética pungente dos analfabetos sentimentais cheios de liberdade e falsas moralidades; penso nos reis, penso e dramatizo os pés descalços - sem tirá-los do chão, imagino a casa da vó e os chocolates que não terei, as brigas com os pais, as discussões com deus - distraído - sempre! Me corto, o vermelho misturando-se com algumas gotas de leite respingadas na pia, fazendo, assim, um molho à cor do fogo que acendeu o meu cigarro.
Limpo, passo o pano do tempo em toda sujeira, lavo a ferida sabendo que não irá cicatrizar tão rápido, volto a fazer a comida do dia da ressurreição, ligo o som, lembro de Santo Amaro - lugar que nunca fui e morro de saudade. Mergulho o dedo no pote de branco, ai!

- O sal que mais arde,
tão inofensivo e branquinho
deixa marcas sem alarde
o seu nome e saudade!


victor sons[tana]

2 comentários:

Anônimo disse...

Lindo demais ,amei !
Só posso dizer que lindo!

gal !

_ Mka.. disse...

Pelo menos não era aquele macarrão triste.

Vc tá arrebentando cada vez mais.
Coala.