quinta-feira, 19 de março de 2009

Pés.
“Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração” indagaram as sete faces de Drummond. A despeito de todas as proteções impostamente necessárias para o perfeito e seguro andar nas ruas de uma grande cidade, eis que vejo uma montanha de calçados abandonados em plena avenida movimentada em uma sexta-feira à tarde. “Porém meus olhos não perguntam nada”, contrapõe-se Carlos a mim, eu, que dos olhos faço acesso para as perguntas do coração. Que estariam fazendo aqueles sapatos, sandálias e chinelos atirados às intempéries inesperadas irônicas ininteligíveis de fim de verão? Talvez por já velhos, gastos e usados. Talvez por nunca usados e paradoxalmente por isso não servirem mais. Talvez por esquecidos. Terão eles deixado pés que seguiram para nunca mais voltar? Pés que alcançaram agora a liberdade infinita de caminhar por entre as estrelas? Ou pés que desejam agora os caminhos do mar? Afofar-se na areia. Ou gelar-se na neve. Ou queimar-se no asfalto. Pés que desejam outros pés. Pés que se querem a sós. Pés que ganharam asas. Pés que descobriram o chão. Ou, simplesmente, pés que, calçados agora em macias duras sandálias de couro seco, só querem dançar um baião.........................Ou um vaneirão.
(MeggieLetras)

Um comentário:

Ana Paula disse...

eles simplesmente podem estar te seguindo meu bem!!!! um xêrooooooooo